Bezerro Desmamado
- simonecortez
- 7 de ago. de 2017
- 3 min de leitura
Atualizado: 4 de out. de 2024

Em comemoração à Semana Mundial de Aleitamento Materno – SMAM 2017, venho contar como foi a amentação prolongada e o desmame natural do Alexandre.
Foram três anos e meio (hoje ele está com quatro anos) de amamentação em livre demanda. Desde o primeiro minuto de vida até a pouco mais de seis meses, o Ale mamou quando quis, como quis e onde quis. Foram dias e noites intermináveis, de amor, dedicação, preguiça, sono, prazer, desespero, felicidade extrema, satisfação, orgulho, empoderamento, exaustão, dor, medo, economia (sim! sabe o preço de uma lata de leite???) euforia, depressão, amor, amor, já falei amor? Amamentar é tudo isso. Amamentar é saúde e amor líquidos doados para o “serumaninho” que a gente mais ama no mundo.
Mas apesar de ser natural, fazer parte da fisiologia do mamífero, amamentar não é fácil, não é glamouroso, como nas capas insanas de revistas de moda e sei lá mais o que, nos fazem crer que é. É preciso muita informação de QUALIDADE, apoio familiar e profissional, e um bocado de disposição emocional e física para conseguir amamentar em livre demanda.
Tive apoio familiar e profissional, mas precisei estar muito certa do que eu queria e das minhas escolhas, nos momentos difíceis, para não fraquejar. E um conselho que segui à risca e que passo para frente é: NÃO TENHA MAMADEIRA E NEM CHUPETA em casa. Nem mesmo naquele armário de cima, embaixo das caixas de enfeite de natal, atrás do baú da sua tataravó, que você nunca mexe. Porque, minha amiga, na hora que o bicho pega, na madrugada, com dor, com sono, com raiva, se a “demonha” tá na sua casa, você usa. Não tem jeito. E olha, se usar, uma vez, não se culpe, não se autoflagele, ok? Joga a bicha fora no dia seguinte e chama uma consultora em aleitamento materno e bola pra frente! Maternidade é isso, acertar um dia e cagar três. Tamo junta!
Depois de amamentar por três anos e meio, compreendo muito mais as mulheres que optam, quando REALMENTE é uma opção, baseada em informação de qualidade, por não amamentar. Lamento, mas entendo. E apoio ainda mais, as mães que querem amamentar em livre demanda até quando ela e a criança decidirem por parar. Porque a decisão tem que partir de um dos dois únicos lados dessa relação. Assim foi comigo e com o Alexandre.
Como já contei em outros posts, aqui e aqui, tive alguns períodos críticos que me fizeram parar pra pensar no desmame conduzido por mim. O que eu nunca quis de verdade. Sempre quis que o desmame fosse natural. Natural, entende-se aqui, como conduzido pela criança. Acredito que ela saiba quando não mais precisa daquele tipo de nutrição, física e emocional. Porque amamentar não é só o ato de alimentar um bebê com leite materno. É também, alimentá-lo de afeto, segurança e conforto.
Acho que tive muita “sorte” esse tempo todo de amamentação, nunca fui hostilizada ou barrada em nenhum lugar , por estar amamentando. Viajei para os Estados Unidos e amamentei na rua, nos parques, na praia, na piscina do hotel, nos restaurantes, avião, aeroportos… Tudo tranquilo! E aqui no Brasil também, sem nenhum problema ou constrangimento. Mas a realidade, infelizmente não é essa. Foi preciso criar leis, para que as mulheres pudessem amamentar em lugares públicos. Em São Paulo existe a Lei 16.161, que garante esse direito.
Aos três anos e meio, após um mês que eu havia tentado, por duas noites, o desmame noturno, conduzido por mim, por influências externas (chatos!), o Alexandre mamou como de costume antes de dormir. Olhou para mim, disse boa noite para o mamá e disse que já não precisava mais dele. E nunca mais mamou! Foi tristemente lindo! Chorei com ele, abracei, beijei e disse que ele continuaria a ter o meu colo e os meus beijos e abraços, mesmo sem o mamá. Desde então, ele toma leite de vaca. Mesmo antes de desmamar, ele já tomava se eu não estivesse em casa.
Eu morro de saudades de amamentar. É uma linda e gostosa lembrança que terei para sempre. Desejo que você, que está me lendo, tenha passado ou passe por essa fase, de uma forma amorosa e tranquila, seja amamentando ou apoiando alguma mãe a amamentar.
Beijos!
Simone













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