Descobri que não sou cardíaca!
- simonecortez
- 15 de fev. de 2016
- 4 min de leitura
Atualizado: 4 de out. de 2024

Descobri que não sou cardíaca! Na sexta-feira de carnaval, passei um suto enorme com o Alexandre. Há alguns dias ele se queixava de dor de barriga. Mas era uma dorzinha que ia e vinha. Eu sempre pensando que poderiam ser gases. Mas as dores começaram a ser mais frequentes e eu percebia que eram mais intensas também. Marquei uma consulta com o pediatra na quarta-feira de manhã. Ele fez o exame clínico e aparentemente estava tudo bem. Ele também imaginou que seriam gases e prisão de ventre, já que no dia anterior o Alexandre não havia feito cocô. Receitou um remédio pra gases e um vermífugo, pois temos muitos animais, ele brinca muito descalço na praça. E disse que até sexta-feira ele teria que estar melhor. E ficou monitorando via celular e whatsapp a evolução do quadro.
Na quarta à tarde o Alexandre começou a se queixar mais de dor e a ficar bem amuado. Dei o remédio e nada de melhorar. Fez um pequeno cocô e eu achei que ele melhoraria depois disso, mas não foi o que aconteceu. Passou a noite toda se queixando de dor, mas continuou comendo e mamando normalmente (sim, ele ainda mama). Na quinta-feira oscilou bastante com momentos de dor e sem dor. À noite ele se queixou muito de dor e na sexta-feira fui ao pediatra novamente. Chegando lá, ele o examinou e não encontrou nada. A barriga dele não estava distendida, estava normal, mas como não havia tido uma melhora e ele pediu que nós fossemos até o hospital, que fica na frente do consultório dele, fazer um ultrassom para tentar entender o que estava acontecendo. No ultrassom verificou-se que ele estava com um quadro que se chama Invaginação Intestinal, que é quando uma porção do intestino entra dentro dele mesmo, causando uma obstrução. Um quadro grave, que precisa ser tratado logo. Começou o meu pesadelo. Meu marido estava viajando e eu estava sozinha com ele no hospital e com a possibilidade dele ter que entrar em cirurgia de emergência. Meu coração ficou espremido, mas eu precisava ser forte e passar confiança e segurança pra ele. O pediatra veio ao meu encontro no hospital e me explicou que ele deveria fazer um exame para ver o grau de obstrução e também porque com esse exame existe grande chance de reverter o quadro sem cirurgia. O nome do exame é Enema de contraste. Através de uma sonda, injeta-se o contraste via retal e o radiologista consegue enxergar como está a obstrução. E com algumas manobras, virando o paciente de posição, alternando os lados, subindo e descendo a maca, o líquido vai se movimentando e entrando no intestino. Com isso, reverteu-se por completo a invaginação e o Alexandre não precisou operar. Mas foi super sofrido o exame. Ele ficou com muito medo e eu precisei segura-lo a força para conseguir realizar o procedimento.
Foi triste, difícil e quando fecho os olhos me lembro da cena, dele implorando para soltarem ele e pedindo ajuda pra mim. Foi muito difícil pra mim e pra ele, mas foi preciso. E fiz e faria novamente. Durante todo o momento expliquei o que estava acontecendo, abracei como consegui, beijei muito o seu rosto. Quase no final do exame, que demorou uns 20 minutos mais ou menos, ele parou de chorar e só ficava olhando pra mim e eu o beijando. Acho que naquele momento ele sentiu que tinha soltado o intestino e que aquilo tudo era pra sarar a barriguinha dele. E eu rezava pra dar certo, pra ele não ter que entrar em cirurgia. Quando o médico disse que havia dado certo, e bati palma e disse: a barriguinha sarou meu amor! Ele fez que sim com a cabeça e pediu pra mamar. E assim ficamos até o dia seguinte: abraçados e fazendo muito carinho na barriguinha. Dormimos no hospital para ele ficar em observação e fomos liberados pela manhã. E ele voltou a ser meu menino espoleta, brincalhão e sorridente. Fez vários cocôs (enormes!) e ficou ótimo!
Foi um puta susto e passar por isso sozinha me fez enxergar o quanto nos tornamos grandes e fortes para proteger e cuidar dos nossos filhos. E que por eles a gente consegue fazer tudo. Mas não posso ser injusta, eu estava sozinha fisicamente, mas as minhas grandes amigas irmãs, estavam comigo o tempo todo ao telefone, whatsapp e em um grupo virtual especial que faço parte. Sem essa força e vibração de todas elas, seria sem dúvida muito mais difícil e assustador. Meu marido estava viajando a trabalho e ficou à distância tentando ajudar e dar apoio como pôde. No dia seguinte ele já estava de volta e tiramos à tarde para cuidar e curtir nosso filho amado.
Deixo aqui e aqui dois links sobre invaginação intestinal para quem quiser entender melhor. Espero que nunca aconteça com os filhos de vocês, mas sempre é bom nos informarmos.
Grande beijo!
Simone













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