Separação
- simonecortez
- 30 de jun. de 2017
- 3 min de leitura
Atualizado: 4 de out. de 2024

Se-pa–ra-ção! Difícil né? Triste, dolorida, mas necessária. E também feliz. Sim, feliz! Como assim uma separação pode ser feliz, Simone? Não é a separação em si, que foi feliz. Não foi um sonho que acabou, que foi feliz. Não foi a história de um casal que acabou, que foi feliz. Não foram pais que se separaram, que foi feliz. Foi feliz o resultado do diálogo sincero e dolorido entre um casal que não estava mais se entendo há muito tempo. Feliz foi a decisão sensata em nos separar antes de um odiar o outro, ainda preservando respeito um pelo outro, ainda podendo conversar sobre o futuro do relacionamento que estava virando amizade e parceria na criação do filho.
Tomamos a decisão difícil de separar no meio das festas de fim de ano. “A conversa”, temida, e adiada por tanto tempo, aconteceu. Em meio a choros, abraços e votos sinceros de sermos felizes separados, tomamos a decisão e começamos a tratar das coisas práticas que teríamos que lidar, daquele momento em diante.
Decidimos que antes mesmo da minha saída da casa, começaríamos a dividir o tempo com o Alexandre. Para que ele, e nós, começássemos a nos adaptar a sermos dois de cada vez e não mais três. Aos finais de semana eu saía. Com ele, nos meus fins de semanas, e sem ele, nos finais de semana do pai.
Além das decisões referentes ao nosso filho, tivemos que decidir também, sobre a guarda dos nossos bichos. Quem me conhece, sabe que temos vários animais de estimação. São seis gatos e cinco cachorros. Optamos pela guarda compartilhada deles, também. Temos livre acesso ao Alexandre e aos bichos nas duas casas. Os animais moram uma parte comigo e a outra com ele. O Alexandre mora nas duas casas: finais de semana alternados e duas noites por semana na casa do pai. Está dando mais certo do que eu imaginava. O diálogo entre nós nunca foi tão eficaz e respeitoso, como agora.
Aluguei um apartamento e bem no meio do carnaval, nos mudamos. Alexandre, num primeiro momento adorou a ideia de ter duas casas, dois quartos. Depois começou a reclamar de saudades do pai, saudades dos bichos que ficaram lá, saudades da casa. Doeu muito ouvir tudo isso, mas ouvi, acolhi, chorei junto com ele, senti culpa, medo, mas entendi que fazia parte do meu luto também viver isso com ele. Fui explicando os motivos das mudanças e disse que todos nós estávamos passando pela adaptação, que dava saudades sim, que estava difícil, mas que juntos, todos nós, eu e ele, ele e o pai, nos apoiaríamos e enfrentaríamos isso juntos. E assim foi e está sendo feito. Agora ele já se acostumou a dividir o tempo entre as duas casas, entende e está se adaptando ao jeito de cada casa funcionar. Procuramos ter mais ou menos as rotinas parecidas, mas cada um ao seu modo.
Estamos, os dois, construindo relacionamentos novos. Alexandre se dá muito bem com os nossos novos companheiros e ganhou um outro irmão (meu novo enteado). E nós? Nós somos amigos e pais. Sou amiga da companheira dele e ele tem um ótimo relacionamento com o meu companheiro e futuro marido.
Contando assim, parece que foi moleza. Não foi não! Separar, nunca é fácil. Com filhos então, missão mega difícil. Mas a gente sobrevive e vive melhor, se tivermos a lucidez de não insistir em algo, que já está desgastado, e sermos respeitosos um com o outro.
E quando meu filho crescer mais um pouco e me perguntar porque tomei essa decisão, vou dizer: Separei em respeito aos quase onze anos de casamento, em respeito à nossa história, à você, meu filho, e, principalmente, em respeito a mulher que me (re)tornei.
Simone













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