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Um ano fora do ninho

Atualizado: 4 de out. de 2024

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Esse mês de maio, faz um ano que meu filho começou a ir para escola. Um ano que ele fica aos cuidados de outras pessoas, que não eu. Um ano que tive que abrir mão do controle, se é que temos algum controle, de alguma coisa nessa vida. Um ano que vivi um dos momentos mais difíceis e, ao mesmo tempo, libertadores da maternidade. Ele ainda mamava no peito. Eu ainda era o seu único e exclusivo porto seguro. Nós ainda éramos um. E mesmo assim, o entreguei aos cuidados da escola. Que grande passo para nós dois! Que aprendizado! Que saudades do meu pequeno!

Eu havia planejado dele ir para escola com três anos, e assim foi feito. Eu havia sonhado com outra escola, mas a maternidade real, bateu à minha porta novamente. Talvez, tenha sido mais difícil a adaptação para mim, por conta de eu não o estar colocando em umas das escolas que eu queria. Que tinham mais a ver com a minha visão de infância e de mundo. Mas não foi possível, por questões financeiras. E isso é muito cruel! Você fica divida entre a necessidade real, pra mim era fundamental que ele fosse para a escola naquele momento, de colocar o seu filho numa escola que você não se identifica, mas que era a única opção possível naquele momento  (e neste) ou deixá-lo em casa, e não poder fazer as coisas que você precisa. Criar um filho sem rede de apoio, é cruel, exaustivo, incapacitante e, infelizmente, muito comum, nos dias de hoje.

Então, quando surgiu essa escola, que ele adora, que o tratam super bem, mas que não é a dos meus sonhos, senti um misto de alívio e angústia, por ter um tempo livre pra mim e ao mesmo tempo, parecia que me faltava um braço. Nos primeiros dias que consegui sair da escola e ficar algumas horinhas, tão sonhadas, comigo mesma, me senti completamente perdida. Eu não sabia o que fazer com aquela “liberdade” toda. Quem era eu, sem o meu pequeno? Quem era eu, sem aquele corpinho agarrado ao meu. Sentia medo de deixá-lo aos cuidados de outras pessoas. Sentia medo dele se sentir abandonado. Sentia medo. Sentia alívio. Sentia culpa. Meu corpo sentiu mais do que eu podia imaginar. Tive uma cistite mega forte. Meu corpo respondeu ao meu medo de perder o controle sobre o meu filho, nos órgãos do aparelho urinário, que estão intimamente ligados à dificuldade de abrir mão do controle e ao medo.

Nesse primeiro mês de adaptação escolar, eu já estava tomando o antidepressivo, também há um mês. Estava colocando a cara na rua. Voltando a ver pessoas, a ter uma vida social, a tomar café quente (quem é mãe sabe muito bem como é tomar café frio, porque o filho demandou, bem na hora que você passou aquele cafézinho  e quando foi ver, uma hora depois, seu café já estava frio e você tomou mesmo assim, pra continuar acordada), e a trabalhar! Estava voltando a viver! Estava saindo do “meu quarto de jack”! Estava me (re)descobrindo novamente. Encontrei amigos do passado, senti amor e paixão novamente. Me encarei de frente e gostei do que vi. Me senti viva! Me senti mais capaz de ser uma mãe melhor para o meu filho.

Ele adora a escola e os amigos. Volta feliz pra casa e conta o seu dia com alegria. E eu sinto orgulho de nós dois, por essa nova etapa de nossas vidas.

Hoje, um ano depois, ainda sinto falta de ter meu chiclete grudado no corpo. Não amamento mais. Sinto falta (e alívio!). Sinto que crescemos. Eu e ele. Ele e eu. Sempre.

Simone

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Sou Simone Cortez, escritora, psicóloga clínica e intercultural, consultora materna e familiar.  

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