As travessias do luto
- simonecortez
- 20 de jan. de 2025
- 1 min de leitura
Atualizado: 7 de mar. de 2025

Tudo sobre ela.
A minha mãe, claro.
A ambiguidade da loucura e da lucidez.
As patologias, as comorbidades, a vida e obra.
Tudo misturado e confuso.
Na vida dela, na minha e nos meus sentimentos.
Uma vida que sempre foi marcada pela loucura e pela tentativa, por vezes, muitas delas, bem sucedidas tentativas de uma vida funcional.
E eu no meio disso tudo.
Na barriga e fora dela.
Perto e distante.
Dentro e fora.
Sempre ela e eu.
Duas vidas marcadas e entrelaçadas pela dor, loucura e amor.
Amor que cuidou e feriu na mesma proporção.
Amor pelo meu pai.
Dela por ele.
Meu por ele.
O grande elo.
E a grande falta.
Uma parceira que se quebrou com a sua morte e a fragmentou mais ainda.
Ela sentiu.
Eu senti.
Eu sinto todos os dias.
A falta dele.
A falta dela.
Da parte boa.
Da mãe boa.
O que restou dela? Se foi com ele.
Mas ainda vive nas minhas lembranças, assim como ele.
As mesmas lembranças que confortam, também machucam.
A certeza de ter sido amada.
A certeza de que só o amor não basta.
O amor permeado de tanta dor, fere.
O desamor, igualmente.
Entre amor e dor.
Entre loucura e lucidez.
Entre compaixão e insegurança.
Eu ainda estou aqui.
Sentindo.
Sentindo tudo.
(hoje faz 19 anos que meu pai se foi)












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