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Eu escrevo, tu escreves, eles escrevem

Atualizado: 7 de mar. de 2025




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Desde que me entendo por gente, eu leio. Muito embora eu não me recorde de mim mesma aprendendo a ler e a juntar lé com cré, eu lembro de mim, criança, inventando histórias e diálogos inteiros na minha cabeça. Diziam que eu tinha uma imaginação fértil. E nem sempre isso era um elogio.

Lembro-me de mim ouvindo histórias. Histórias de livros, histórias de gente. De gente próxima, de gente que eu nem conhecia.  E eu lia. Lia bastante. Tentava ler sozinha livros de adulto. Aos 6 anos de idade, tentei ler 2001: uma odisseia no espaço e depois quis ver o filme. Adorei ver a outra perspectiva do que imaginei lendo o livro. Confesso que na minha cabeça parecia ser mais incrível. Tirando a música e os efeitos especiais, acho que o filme da minha cabeça e o filme real, eram pau a pau.  

Na adolescência, foi a época em que li menos. Estava muito ocupada com dores e amores. Mas de vez em quando me escapava uma leitura aqui, outra ali. Fim da adolescência, voltei a ler muito. Muito mesmo. Tive um namorado que também lia muito e nós trocávamos livros, histórias e carícias.

Sou do tempo dos blogs. Era e ainda sou, leitora assídua de textos de desabafos cotidianos de pessoas que nem conheço e algumas conhecidas. Tenho uns bons pares de blogs que eu escrevi perdidos por aí, com as minhas impressões do mundo e também com os meus desabafos.

Sempre me apeteceu ler. Escrever veio depois. Veio quase como uma necessidade fisiológica. Sem nunca ter uma regra, rotina ou ritual. As palavras precisavam sair de alguma forma. Eu gritava e ainda grito o não dito através dos textos que escrevo. Ora em primeira pessoa, ora em uma mentirosa ficção, fingindo que não tem nada meu ali. Mas o fato é que escrevo. Dizem que escrevo bem. Dizem que tenho uma maneira própria de escrever, ainda fico em dúvida se isso é elogio.

Fui então estudar escrita terapêutica e entendi que o que eu faço, o que eu escrevo, é isso: é escrita terapêutica.

Antes mesmo de incentivar minhas pacientes a escreverem, algumas já traziam, timidamente, seus textos para a sessão.

Resolvi me aprofundar no assunto e, nerd que sou, mergulhei nas neurociências, nos textos de psicologia, psicanálise e claro, no meu querido Jung. Descobri como a escrita pode ser uma grande aliada na regulação emocional e no aprofundamento da análise (terapia).

A verdade é que histórias conectam, histórias curam, histórias dizem o que não sabemos que precisava ser dito até então. Histórias nomeiam os sentimentos e dão sentido ao que sentimos, desde sempre. Estão aí as escrituras sagradas, os mitos, e tantos outros textos que povoam nosso imaginário, ditam regras e dependendo da interpretação, nos conduzem à paz ou à guerra. Muitos fatos históricos foram revelados através de diários de bordo, diários de sobreviventes e de mártires.

Muito da nossa história pessoal pode vir à tona através da escrita.  

Histórias revelam. Histórias acolhem. Histórias ajudam na elaboração dos lutos e lutas da nossa existência.

Escrever um texto é também reescrever a nossa história e criar uma vida com mais significado.

Em tempos velozes e furiosos de internet, onde tudo fica para trás em segundos, parar e escrever sobre o que lembramos, sentimos, vivemos, é um ato revolucionário e “revolucionante”.

Te convido a experimentar. Escreva!

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Sou Simone Cortez, escritora, psicóloga clínica e intercultural, consultora materna e familiar.  

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